Carregando
  • mãe na real

    o dia depois de amanhã

    é impossível a gente ter filhs e não falar e pensar sobre política.

    ontem eu fiquei triste com os resultados das eleições no brasil, com tamanha falta de memória, descrença no voto e na democracia. tantos votos que só podem ser “de protesto”, porque não pode ser que as pessoas considerem aquelas pessoas  (alguns) preparadas para o cargo político que vão ocupar. que belo tiro no pé.

    hoje pela manhã passeando pelo facebook (lembrar de excluir o face) eu vi o tamanho da merda que estamos. chorei feito criança. e ganhei abraços da minha filha.

    lis tem 7 anos e eu já havia conversado com ela há um tempo atrás sobre o processo eleitoral (“presidente é tipo o diretor da escola”), explicado a importância do voto e da democracia. ela não sabia quem eram os candidatos, não assisto jornal na tv com ela perto, não dá pra deixar aquele monte de violências e barbáries chegarem aos ouvidos das crianças, é desnecessário. então, por opção, não vemos jornal na tv.

    mas não podemos viver numa bolha.

    então ela ouvia algumas conversas nossas e já tinha me perguntado sobre um ou outro candidato e eu explicava até onde achava que podia ir. lis sabe das desigualdades e contribui na seleção das roupas e brinquedos para doar, por exemplo. me empenho para que ela compreenda a importância de valorizar a comida que temos em casa. e a casa que temos. e tantos outros direitos básicos que acabam por ser privilégios nesse país tão desigual.

    e hoje ela me viu chorar e perguntou porque eu chorava.

    como é difícil explicar sobre isso!!tive que buscar palavras doces para dizer que ficamos com duas opções para a escolha do presidente e para governador do estado, e que infelizmente estas escolhas nos levavam a observar e perceber que muita gente não aceita a felicidade e liberdade ds outrs. e que isso dói em mim. enquanto não tivermos direitos iguais para tods, eu não consigo ficar tranquila e achar que tá tudo bem. como eu vou aceitar que crianças morram de fome? como eu vou achar normal gays e negros apanharem na rua, serem mortos simplesmente por serem como são? eu não me tenho como me sentir segura dessa forma. enquanto mulher, enquanto cidadã.

    direitos não podem ser privilégios.

    ainda temos mais 20 dias de campanha eleitoral, e eu sinto que muitas coisas difíceis de engolir serão ditas, feitas e vistas. temos que mostrar para as crianças que o mundo é bonito, que a beleza está dentro da gente e da gente expande para fora. esse mal estar todo não pode atingir as crianças e tirar a pureza das suas respostas. elas precisam ver e compreender que ser ético, justo, empático é algo que se faz no micro, no nosso pequeno círculo, tratando as pessoas e criando relações baseados no respeito e na igualdade.

    nós temos que espalhar amor, nosss filhs são espelhos e se queremos o bem, temos que começar dentro de casa.

    no bom trato, no bom senso, no respeito.

    mais amor,

    por favor.

    mais consciência,

    por amor.

    Compartilhar:
  • Você poderá gostar

    No Comments

    Leave a Reply